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SI FU ME MOSTRA COMO COMER À MESA COM OUTRA PESSOA.

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(Almoço com Si Fu e irmãos Kung Fu no "Benkei da loirinha" em 2007)

Crescer com meus avós foi uma experiência inesquecível! Tive uma infância perfeita com duas pessoas muito especiais! Meu avô, vindo do interior de Minas e minha avó vinda de Fortaleza. Ele, estudou até o 5º ano e ela até o 4º.
Talvez por meu avô ser mineiro, "comida" era algo muito importante para ele, e os momentos de refeição eram sempre silenciosos e concentrados.
Minha avó jogava quase 1Kg de farinha na comida(risos) e quando virava uma espécie de papa, ela comia com a mão. Quando haviam pessoas de fora, ela usava uma colher. Já meu avô, destroçava a comida como se fosse um pirata que acabara de chegar depois de uma longa temporada no mar. Admirava meu avô, porque até mesmo quando comia, ele parecia casca-grossa o suficiente.
Sem perceber, acabei adquirindo certos hábitos rudes que ficaram comigo por muito tempo quando sentava à mesa.
(Com Si Fu na varanda de uma antiga residência na qual viveu em 2009)

No artigo anterior, escrevi sobre ter ido com Si Fu ao famoso "Benkei da Loirinha" e ter comido comida japonesa pela primeira vez. Porém, mais importante do que isso, foi o fato de ter saído pela primeira vez com Si Fu para almoçar à meu convite. E o que não contei, é que eu mal sabia pedir a comida.
Acostumado a comer em fastfoods, padarias, ou os chamados "Bandeijões". Estar ali com Si Fu era uma experiência nova. Parte de mim não queria frequentar um restaurante por timidez, afinal eu não sabia nem como pedir a comida.
Naquela Sexta, Si Fu me explicou a diferença entre um rodízio de comida japonesa e o que era "À la carte". Também falou para mim, um pouco sobre cada item da comanda para pedidos. E dentre outros pontos, ouvi pela primeira vez, a razão da alga estar por fora num "Makimono".
(Próximo à mesma residência onde Si Fu costumava tomar café e ler a biografia do Steve Jobs)

Mas o que ficara mais marcado para mim, foi o fato de que estava tão envolvido em contar minha história, que esqueci-me de comer! Si Fu estava satisfeito e ficou me olhando. E me perguntou em determinado momento se eu não iria comer. Quando comecei, ele perguntou se ele ficaria me olhando. Indaguei se ele queria algo mais e ele disse que não. Assim, resolvi pedir a conta, ele me interrompeu e disse para eu comer algo pois afinal, além de ficar com fome, pagaria por um alimento que não consumi.
Com tantas informações, aquele almoço que serviria apenas para contar minha história de sucesso com a menina da faculdade que gostava (LEIA AQUI), se tornou uma grande experiência de Kung Fu.

(Sexta à noite com dois Dai Ji: Luiz Grativol e Caroline Archanjo)

Sempre que sento com alguém ou com algum "To Dai" à mesa, costumo estar bem atento. Aquele almoço ,me marcou tanto, que nunca mais consegui comer como antes. Também perdi a timidez de entrar em restaurantes, independente da classe social que seja seu público alvo.
Esse processo de transformação monitorado por Si Fu, que ao longo desses vinte anos, vem desconstruindo esses modelos tão fortes que estão presentes dentro de mim. Foram fundamentais para que eu pudesse minimamente me refinar não só no "Mo Lam", como também "fora" dele.


O discípulo número 02 do Mestre Senior Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@Gmail.com

ARROZ COM OVO FRITO.

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(Com Si Fu em 2003 durante Evento de Integração em Jacarepaguá)

Havia sido um final de tarde complicado. Cheguei no Mo Gun meio triste e Si Fu surpreendentemente perguntou se eu não queria dormir em sua casa. Aceitei imediatamente, pois aquela era a primeira vez que recebia tal convite.
Estávamos no ano de 2003, o Mo Gun ainda ficava na Taquara e eu conseguia me deslocar facilmente com minha bicileta preta. Sendo assim, fui rapidamente em casa(dois bairros depois) e peguei alguns utensílios como escova de dentes e voltei de ônibus.
Ao sentar no Marea do Si Fu, ele disse: "Me diz o que houve e não para de falar. Eu 'tô com muito sono, e você falando me ajuda a não dormir dirigindo."- Olhei para ele rindo, mas ele falava sério.
(Foto para o painel de membros em 2003 com cara de poucos amigos|)

Ao chegar em sua casa, foi preparado um jantar. Acabei cometendo uma gafe ao começar a comer primeiro. Si Fu indagou-me: "Ué? Não vai esperar todo mundo,Thiago?" - Pedi desculpas. Mas o que realmente me impressionava era a comida no prato do Si Fu.
Notando meu ar de surpresa, Si Fu perguntou se estava tudo bem, então eu apenas respondi: "É que o senhor está comendo arroz com ovo frito." - Um tanto quanto incrédulo, Si Fu me olhou esperando uma conclusão. Eu então disse: "É que eu também como arroz com ovo frito." - Si Fu começou a rir e perguntou o que eu achava que ele comia.
Em minhas fantasias daquela época, eu imaginava que ele tivesse alguma dieta especial, então vê-lo comer arroz com ovo frito foi bem chocante para mim.
(Com Si Fu e Si Suk Diego comendo coxinhas no 
primeiro Núcleo Barra. Gil Batista foi o fotógrafo)


Anos mais tarde, mais precisamente em 2005, já passava as tardes com Si Fu no Mo Gun auxiliando nas sessões da Paula Gama, Ana e Adda. Numa dessas tardes ele disse: "Pereira, você pode ir comprar algo para a gente comer?Não almocei hoje." - Eu comprei coxinhas de galinha para todos.
O episódio na casa de Si Fu havia me marcado muito, e começando a relação Si Fu-To Dai de forma ainda muito inocente, acreditava que ele comia de tudo, então comprei as coxinhas.
Naquela tarde de 2005, Si Fu compartilhou que muitas vezes um Si Fu come certas coisas ou aceita ir em certos lugares, para respeitar o momento do To Dai e também para proporcionar o mínimo de cenário para que a relação se inicie. Dentre outras possibilidades.

(Depois de vinte anos, juntos na Polônia)

A imagem acima é de nosso jantar de despedida em Varsóvia na Polônia. Uma noite memorável num lugar digno dos contos de Andrzej Sapkowski. Porém, mais impressionante do que o lugar, é o sentimento do compromisso inabalável de Si Fu com relação à seus To Dai, desde o inesquecível arroz com ovo frito ou das lendárias coxinhas de galinha de 2005.
Realmente, um Si Fu como o meu, é capaz de aceitar vivenciar momentos e estar em lugares impensados, apenas para gerar Vida Kung Fu. É até emocionante passar por esses três momentos.


O Discípulo número 02 do Mestre Senior Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvT@Gmail.com

LEVANDO A JULINHA PRA CASA.

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Como diz Peter Parker em "Spiderman"(2002), esta história também é sobre uma menina. Quando conheci minha grande ex-namorada e hoje querida amiga Ana Carolina em 2003. Achei que se me treinasse a gostar de crianças, poderia ter mais chances com ela, já que ela gostava bastante e se dava muito bem com elas. Graças a esse foco inicial, passei a gostar de verdade. E acho que de todas as crianças com as quais já convivi até hoje, a Julinha, filha mais nova de meu Si Fu, tem um espaço especial no coração.
Lembro que quando a Julinha nasceu(FOTO), estava passando as "festas de final de ano" num sítio da Família da Ana Carolina, e por telefone, soube da notícia por Si Fu. Curiosamente, quando soube que ele iria ser pai pela segunda vez, ele havia acabado de sair de uma situação financeira desafiadora, e rindo junto aos To Dai numa noite no Núcleo Jacarepaguá disse: "Hora ótima para ter mais um filho!" (Risos)- Apesar de ter falado isso em tom de brincadeira, Si Fu sempre diz: "Filho é sempre bom."
De vez em quando a Julia aparecia em algum evento da Família Kung Fu, mas por alguma razão não gostava muito de mim quando era pequenininha..kk E esse foi um dia que fiz questão de registar, quando ela finalmente veio, ainda que receosa, no meu colo sem chorar pela primeira vez durante um almoço da Família Kung Fu.
Quando a Julia era pequena era bem engraçado..risos Si Fu confiava muito em mim em vários aspectos. Um deles, era o de permitir e até sugerir, que sua filha mais velha, a querida Jade, praticasse sob minha responsabilidade no Núcleo Méier. Aqueles, eram os tempos de grandes aventuras!
Certa vez, fui levar Jade até a porta de casa no apartamento em que vivia na Freguesia. Jade estava sem as chaves, e a Julinha veio por trás da porta de madeira e lá de dentro  perguntou: "Jade?" ..kkk Eu fiz sinal para Jade não dizer que estava lá, e comecei a imitar a forma que Si Fu falava com ela naquele período: "Zúuu-liaaa! É o papai Zú-lia!" - O mais engraçado é que ela acreditou! kk Eu e Jade ficamos rindo.
A gente sempre tinha uma desculpa pra se enfiar na casa do Si Fu, ou ele nos convidava de qualquer jeito! (risos) . Nessa foto, Julinha observa meu "Chi Sau" com Thiago Silva.
O que será que passava na cabeça dela né? haha
A primeira vez que Si Fu me pediu para levar Julia para casa, foi no início de 2011(foto). Laurien, filha do Thiago Silva, e Jade(foto), estavam conosco. Achei que seria uma boa ideia fazer um desvio e passar no Mcdonald´s com todo mundo!Foi uma manhã inesquecível!
Muito antes de criar seu primeiro Instagram com o melhor nome de todos os tempos "Pessoa Alien"(Risos). Julinha e eu vivemos muitas aventuras no ano de 2013(foto), quando Si Fu morava no Recreio, e após as práticas de "Baat Jaam Do" tinha a missão de levar ela e Jade para casa em segurança. 
Com Julinha já na fase 3, agora adolescente, e com Si Fu num shopping da Zona Oeste do Rio.

Como pegávamos muito transito no caminho até a casa da Julia e da Jade, de alguma forma que não me lembro, comecei um processo de contar histórias engraçadas que vivi em momentos diversos da minha vida. Para minha surpresa Julia morria de rir. Algumas ela pedia pra repetir. Jade ria às vezes mais por vergonha das situações constrangedoras que eu vivia, do que qualquer outra coisa.kk
Acho que o fato do Si Fu abrir sua vida de forma tão especial para mim ao longo dos anos, permitiu com que eu me relacionasse tão bem com seus familiares, especialmente suas duas filhas. 
Lembro de quando escrevi meu "Baai Si Dip" em 2007 pouco antes de meu discipulado, e nele, por orientação de Si Suk Ursula, deveria escrever por exemplo, sobre até onde se estenderia meu cuidado com Si Fu. "Por exemplo, Pereira, você cuidaria da Jade? Da Julia?" - Teria indagado ela. Escrevi aquela carta muito apoiado no que acreditava ser o certo. Mas tantos anos depois, e com esses singelos mas poderosos momentos vividos não só com a Camachinho, mas também com a Jade.Acho que hoje esse é um processo natural. 
Essa é nossa foto mais especial, de uma dessas noites de Sexta de 2013: Havia saído da casa de Si Fu, pegamos um transito inacreditável, mas rimos tanto na viagem, que seria difícil pensar numa foto com uma alegria mais sincera do que essa de quando chegamos à Freguesia.
 Bom, acho que dá pra dizer que amo essas duas.kk


O discípulo número 02 do Mestre Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
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O que fazer quando uma onda te derrubar.

Sentei-me com Si Fu no "Benkei da Loirinha"(FOTO) para planejarmos a próxima viagem à Europa no início do semestre passado, e Si Fu parecia animado. Segundo ele, não estava acreditando muito no meu projeto até perceber o quanto tinha estudado desde a última viagem. 
Foi também sentado de frente para Si Fu meses antes, que ele me disse algo como: "Quando uma onda grande te pega e você parece que está numa máquina de lavar, se você começar a nadar desesperadamente, você só vai gastar energia, porque de 360º  de possibilidades,você pode estar nadando na direção errada. Sabe o que se faz numa situação assim? Nada. Você para e espera a onda acabar de bater."
Ir para a Suiça(FOTO) não estava nos meus planos(risos). Porém, de toda a viagem épica que fizemos no ano de 2019, sem dúvidas, a Suiça para mim ficou como ponto alto dos meus momentos com Si Fu. 
Das brincadeiras dele dizendo que o avião iria cair enquanto ficamos 30 minutos presos numa nuvem com turbulências antes de pousarmos em Zurich, passando pela caminhada que fizemos ao chegarmos pelas ruas sem cor dos subúrbios de Zurich, fingindo que estávamos num episódio de "Black Mirror", até nossa tão especial conversa na volta para o hotel, quando o Si Fu disse que eu era como um vampiro. Foram momentos que me fizeram perceber o quanto tenho sorte de ter conhecido o Si Fu. Meu irmão Kung Fu Gil Batista, não quis ir comigo no dia que fui conhecer o Mo Gun em 1999, ele só apareceu em 2003. Mais tarde, no ano de 2007, ele desistiu de nosso "Baai Si" na última hora. Às vezes, uma simples decisão muda tudo...
Foi em Zurich que tive contato com a música "Primavera" de Ludovic Einaud. Sempre que a escuto, me lembro de Zurich e da viagem à Europa. Foi esse mesmo Ludovic Einaud, com sua música "Le Onde", que embalou a nossa demonstração no Teatro Odylo Costa Filho da UERJ em 2007, por sugestão minha. Havia ficado apaixonado por essa música que foi a trilha daquele ano, o ano exatamente do meu "Baai Si". 
Digo isso, porque o almoço nesse dia na Suiça foi um dos mais especiais de minha história com Si Fu. E fica a lição aqui de ouvir sempre o Si Fu. Como Si Gung diz: "Toda a relação e toda a conversa, começam com 'Sau' (obedecer)." - Porque de todas as mesas que nos separavam, fosse durante uma conversa ou durante uma refeição. Nunca me imaginei tão longe com Si Fu, sentado à mesa em Zurich. 
Ouvindo "Primavera" no quarto do hotel em Zurich enquanto Si Fu descansava no final da tarde, me lembrei de quando ouvia "Le Onde" do mesmo músico no ano de meu Baai Si. E de quão longe essa relação chegara e de quão profunda ela ficou desde então. 
Então, se uma onda te pegar, o melhor é não fazer nada, e esperar ela parar de bater. 


O discípulo número 02 do Mestre Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
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