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VIAJANDO COMO UM CLÃ PELA 1º VEZ: PAGANDO O PREÇO DA INEXPERIÊNCIA

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(Foto emblemática do primeiro Clã das Famílias da América Latina)

Viajei inúmeras vezes com Si Fu para a Casa dos Discípulos, mas em 2016, viajei com ele e com meu To Dai Pedro Freire. Aquela viagem demonstrou claramente meu despreparo como um Si Fu que havia acabado de abrir sua Família apenas três meses antes. Não imaginava nem por um momento, o quão diferente era atuar como "Si Hing" de quando se atua como "Si Fu". E minha inexperiência nisso custou  caro.
(Si Fu com seu cavanhaque que a Julia não gostava e Rodrigo no café de Domingo)

Meu irmão Kung Fu Rodrigo Moreira também esteve nessa viagem, e eu acredito que muito do que saiu errado, se deve exatamente à essa minha falta de consciência daquela configuração da comitiva. Deixei muitas coisas para serem organizadas por Pedro e Rodrigo, como se os dois fossem meus To Dai, o que é claro, não fiz por mal, ainda que isso não mude o resultado final em várias situações.
Si Fu se desdobrou muito para me preservar, tendo em vista que claramente, muitas das "trapalhadas" que ocorreram (algumas podendo ter desdobramentos sérios), foram pela minha falha de avaliação de cenário. Como meu To Dai estava presente, muitas das broncas foram concentradas no Rodrigo.
(Com Rodrigo e Si Fu antes da Cerimônia começar)

Pensando com mais calma sobre essa viagem em várias oportunidades, cheguei à conclusão da situação que deixei Si Fu: Ele não tinha muita proximidade com Pedro, e acredito que por isso e para me respeitar, ele o poupou em vários momentos. E como disse acima, vi claramente a sua conduta de me preservar. Afinal, era uma situação nova para todos nós.
Rodrigo e Pedro que estavam responsáveis por avisar sobre a estrada a tomar para Salto(onde ocorreria a reunião de Mestres Seniores) esqueceram e erramos o caminho. Estávamos atrasados e Si Fu poderia perder a reunião.
Eu havia lembrado, mas por uma falta de entendimento das relações no carro, e do esquecimento de que o provimento de "Vida-Kung Fu" não pode chegar ao ponto de afetar o Si Fu, acabei sendo omisso.
(Jantar com Pedrinho e Rodrigo em Salto)

Não lembro a hora da reunião, talvez fosse as 17h, porque sei que chegamos faltando 20 minutos para começar. Ao chegarmos ao hotel, uma nova surpresa: O quarto tinha sido reservado para um dia antes. Isso fez com que eu tivesse que realizar uma nova reserva e Si Fu não podia subir.
Quando finalmente entramos no carro após deixarmos as malas e tomarmos banho. O grupo errou o trajeto no waze novamente e voltamos para a auto-estrada, faltando apenas cinco muntos para a reunião.
Chegamos à casa do Si Gung com tudo já escuro, e Si Fu com maestria, mesmo após chamar à atenção de Rodrigo com veemência, mantinha a atenção cuidadosa à ele, para trazer a ele a consciência após a experiência. Nestes momentos, mais uma vez Si Fu poupava a mim e ao Pedro. Ainda que, por algumas vezes, de forma infinitamente mais branda, tenha chamado a atenção de Pedro também.
(Lembrança do aniversário da Si Taai) 

Passaríamos três dias viajando: No primeiro, haveria uma reunião de Mestres Seniores, no segundo, Titulação de novos Mestres Seniores e o aniversário da Si Taai. E foi exatamente no Sábado do aniversário, o momento mais angustiante da viagem...
Quando tiramos essa foto oficial ao final do aniversário da Si Taai, mal sabíamos onde iríamos parar alguns minutos depois. Eu não havia monitorado a reserva do hotel de Sábado, e ao chegarmos, tratava-se de um hotel duas estrelas numa região perigosa. Estávamos com um carro que Si Fu tinha (um SUV) que chamava bastante atenção. Vestíamos terno e estávamos com malas.
No balcão, haviam duas GP´s e uns caras estranhos. Quando chegamos no quarto, lembro da "bronca homérica" de Si Fu. Desta vez, não lhe foi possível me preservar, todos os limites haviam sido quebrados, ainda que ele tenha amenizado muito para o meu lado.
(Si Gung e To Sun)

Resolvi que alugaria um novo quarto apenas para Si Fu. No dia seguinte ele me diria: "Pereira, se fosse eu no seu lugar, impediria meu Si Fu de dormir num lugar assim. Tomaria a frente, e chamaria ele para ir embora" - Aquelas palavras desceram doídas.
(Minutos antes de embarcar em meu primeiro voo internacional. Com meu medo de altura, 
meu coração parecia o de um coelho. Em minha cabeça, os mapas de Paris e Barcelona).

Apenas um ano depois, não estávamos nos dirigindo até São Paulo, mas sim para a Europa. Naqueles dias de grandes aventuras pela França e Espanha, tinha toda a viagem gravada na cabeça. E quando Tati Schneider disse que deveríamos virar à direita num dos inúmeros túneis na estaçao do Louvre e eu disse "esquerda" com garra e convicção, mesmo com o tempo para pegar o voo para Madrid "em cima" e Si Fu me perguntando se eu tinha certeza, eu acertei!
Ainda estava num processo de amadurecimento de diferenciar a atuação de um "Si Hing" para a de um "Si Fu", mas havia determinado que nunca mais deixaria Si Fu passar algum sufoco como naqueles confusos dias da viagem para SP de 2016.
Sobre Rodrigo e Pedrinho, espero que tenham levado algo também para suas vidas... E espero num futuro poder viajar novamente com Rodrigo para compensar meus furos como Si Hing.


O discípulo de número 02 do Mestre Senior Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com

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